Uma das maiores riquezas minerais estratégicas do Brasil terá grande parte de sua produção destinada ao mercado europeu. A mineradora australiana Viridis Mining and Minerals firmou um acordo com a Rhodia Operations SAS, integrante do grupo europeu Solvay, para fornecer aproximadamente 70% da produção prevista de terras raras do Projeto Colossus, localizado em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais.
O contrato, anunciado nesta quarta-feira (4), prevê o início do fornecimento em 2028 e terá validade até dezembro de 2034, com possibilidade de renovação por mais cinco anos. A Solvay também terá preferência para apresentar propostas de compra sobre a produção restante.
As terras raras são consideradas recursos estratégicos para a economia mundial, utilizadas na fabricação de veículos elétricos, equipamentos militares, turbinas eólicas, celulares e tecnologias de alta precisão. O Brasil possui importantes reservas desses minerais, que despertam crescente interesse de potências estrangeiras.
Pelo acordo, o material extraído e parcialmente processado em território brasileiro será encaminhado à unidade industrial da Solvay em La Rochelle, na França, onde passará por etapas adicionais de separação e purificação, gerando produtos de maior valor agregado.
A operação reacende o debate sobre a soberania nacional e o aproveitamento das riquezas minerais brasileiras. Enquanto empresas estrangeiras ampliam sua participação na exploração e comercialização desses recursos, permanece a discussão sobre quanto da riqueza, da tecnologia e da industrialização ficará efetivamente no Brasil.
O negócio poderá gerar receitas estimadas em pelo menos US$ 915 milhões entre 2029 e 2034, desde que os volumes contratados sejam entregues. As empresas também discutem a transferência de tecnologias para ampliar o processamento nacional, mas esse entendimento ainda não foi formalizado.
Em setembro, o BNDES aprovou financiamento de R$ 77,5 milhões para apoiar a implantação de um centro de…







