Daniel Vorcaro alterou sua representação legal, um indício claro de uma nova abordagem no processo do Banco Master. O advogado criminalista Pierpaolo Bottini, que havia expressado não ter interesse em acordos de colaboração premiada, transferiu o caso para José Luis Oliveira Lima, do escritório Oliveira Lima & Dall’Acqua. A imprensa já havia noticiado que o ex-banqueiro estava buscando diálogos para uma possível delação com as autoridades judiciais.
A escolha do novo defensor reforça a percepção de que Vorcaro busca um acordo. Oliveira Lima tem um histórico notável em colaborações premiadas, tendo atuado para Leo Pinheiro, ex-presidente da OAS, na Lava Jato, e defendido José Dirceu no escândalo do mensalão. Mais recentemente, ele representou o general Braga Netto em investigações sobre uma suposta tentativa de golpe. Curiosamente, o criminalista já havia prestado consultoria ao próprio Banco Master antes de sua liquidação pelo Banco Central em novembro. A urgência dessa movimentação se intensificou após a Segunda Turma do STF, com placar de 3 a 0, decidir nesta sexta-feira pela manutenção da prisão preventiva de Vorcaro na Penitenciária Federal de Brasília.
A situação de Vorcaro se agrava. Além das acusações de irregularidades financeiras, a Polícia Federal encontrou em seu aparelho celular evidências de uma rede de intimidação particular, incluindo ameaças direcionadas ao jornalista Lauro Jardim. Um dos detidos na operação, Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, faleceu sob custódia da PF. Com a prisão confirmada, seu cunhado Fabiano Zettel também detido, e as investigações se aprofundando em possíveis ligações com o Centrão, a delação premiada pode ser a única saída para Vorcaro tentar mitigar as consequências legais.







