O Brasil voltou ao centro de um debate estratégico após a venda de importantes minas de ouro localizadas no país para um grupo chinês. A transação, avaliada em cerca de US$ 1 bilhão, envolve ativos que pertenciam à empresa canadense Equinox Gold e reacende discussões sobre a perda de controle nacional sobre recursos minerais considerados estratégicos.
A negociação inclui minas em operação e projetos com grande potencial de exploração, localizados em regiões ricas em recursos naturais. Com o acordo, a empresa chinesa amplia sua presença no setor mineral brasileiro, fortalecendo sua atuação em um país que possui algumas das maiores reservas do mundo não apenas de ouro, mas também de minerais associados às chamadas terras raras, essenciais para tecnologias de ponta, como baterias, semicondutores e equipamentos militares.
A Equinox Gold justificou a venda como parte de uma estratégia para reduzir dívidas, reforçar o caixa e concentrar investimentos em outros projetos considerados prioritários. Do ponto de vista empresarial, a operação é vista como um movimento financeiro relevante, capaz de reorganizar a estrutura da companhia no cenário internacional.
Por outro lado, a transação gerou críticas e preocupações no Brasil. Especialistas e analistas alertam que a transferência de ativos minerais para empresas estrangeiras, especialmente de países com forte política industrial e geopolítica, pode comprometer a soberania sobre recursos naturais estratégicos no longo prazo. O tema ganha ainda mais peso em um contexto global marcado por disputas por matérias-primas essenciais à transição energética e ao avanço tecnológico.
A venda também expõe a fragilidade de uma política nacional mais robusta para o setor mineral, que incentive a agregação de valor, a industrialização interna e maior controle sobre ativos estratégicos. Para críticos, o país segue exportando riquezas brutas enquanto outros países garantem domínio sobre cadeias produtivas completas e tecnologias associadas.
Com a conclusão do negócio, o Brasil reforça seu papel como fornecedor global de recursos naturais, mas o debate sobre quem se beneficia de fato dessas riquezas — e por quanto tempo — permanece aberto.







