A cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) agora vê como uma possibilidade real um desfecho que, até pouco tempo, parecia distante: o Partido Liberal (PL) não apenas expandir sua presença no Congresso, mas também buscar o controle simultâneo da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, apresentando candidatos próprios para as presidências.
Historicamente, o PL e a frente bolsonarista nunca detiveram o comando direto de ambas as Casas e não articularam autonomamente a eleição de presidentes sem o apoio crucial do chamado centrão. Em diversas ocasiões, a estratégia adotada foi de adesão ou aliança com blocos já estabelecidos, em vez de liderar o processo.
Internamente, o PT calcula que essa dinâmica pode mudar significativamente caso Carlos Bolsonaro e, especialmente, Michelle Bolsonaro, consigam cadeiras no Senado. Fontes da legenda acreditam que Michelle possui habilidade para dialogar com setores de centro e alas liberais que, em certos momentos, transitam entre o governo e o centrão. Uma possível ponte política construída por ela poderia alterar a forma tradicional de se construir maiorias.
O receio manifestado por membros petistas é que o bolsonarismo deixe de apoiar candidatos do centrão para, de modo inverso, lançar seus próprios nomes e obter o apoio desses mesmos grupos. Ou seja, a intenção seria não mais compor sob a liderança de outros, mas liderar a formação de alianças. Essa reorganização, se concretizada, poderia viabilizar a eleição de aliados para a presidência do Senado e, ao mesmo tempo, para a presidência da Câmara.







