A coerência parece ser um artigo cada vez mais raro no debate público brasileiro. Fábio Porchat, que ganhou destaque ao criticar duramente o uso de sigilos durante o governo anterior, agora surge ligado a um contexto igualmente envolto em falta de transparência — desta vez sob a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. A mudança de postura levanta questionamentos inevitáveis: o problema era o sigilo em si ou apenas quem estava no poder?
O episódio escancara uma prática recorrente na política e no meio artístico: a indignação seletiva. Quando conveniente, o discurso é firme e moralista; quando o cenário muda, o silêncio ou a relativização passam a dominar. No fim, quem perde é o cidadão, que assiste à troca de narrativas enquanto a transparência — que deveria ser um valor universal — continua sendo tratada como ferramenta de ocasião.







