O governo insiste em divulgar índices de inflação que sugerem controle e estabilidade, mas a experiência cotidiana do brasileiro conta outra história. Um exemplo emblemático está no mercado de automóveis: durante a pandemia, o Fiat Mobi era anunciado por cerca de R$ 38.900; hoje, no governo Lula, o mesmo modelo ultrapassa R$ 82.560. Trata-se de mais que o dobro em poucos anos, um salto que nenhum índice oficial consegue explicar de forma convincente ao cidadão comum que vê seu salário estagnado.
Esse encarecimento não é isolado nem fruto de “ganância empresarial”, como muitas vezes se tenta argumentar. Ele decorre de uma combinação conhecida: expansão de gastos públicos, pressão tributária elevada, juros altos, burocracia crônica e perda de produtividade. Soma-se a isso a desvalorização persistente do real, que encarece aço, eletrônicos, semicondutores, energia e logística. Mesmo veículos produzidos no Brasil incorporam custos atrelados ao dólar, o que torna inevitável o repasse ao consumidor final.
Enquanto o IPCA aponta uma inflação “administrável”, o brasileiro percebe outra realidade ao tentar comprar comida, pagar aluguel ou trocar de carro. Modelos que antes eram porta de entrada para a classe média hoje estão fora de alcance. A discrepância entre o discurso oficial e o bolso da população revela um problema mais profundo: quando o governo perde controle fiscal e a moeda se enfraquece, o dinheiro vale menos, e a conta acaba sempre nas mãos de quem produz e de quem consome.







