O Brasil caminha para encerrar o ano com um dos maiores rombos fiscais de sua história, recordes de arrecadação de impostos e crescimento acelerado da dívida pública. Ainda assim, esse cenário tem recebido pouca atenção no debate público, especialmente nas grandes páginas de influência política e econômica nas redes sociais.
Enquanto milhões de brasileiros sentem no dia a dia o peso dos tributos, da inflação e da piora nos serviços públicos, parte relevante da comunicação digital prefere destacar fatos pontuais positivos, muitas vezes de impacto limitado, e omitir problemas estruturais que podem afetar milhões de pessoas nos próximos anos. O resultado é uma narrativa desconectada da realidade fiscal do país.
Esse contraste fica ainda mais evidente diante do aumento expressivo dos gastos do próprio governo com comunicação. Em 2025, o governo federal destinou cerca de R$ 69 milhões apenas para publicidade na internet e contratação de influenciadores digitais, um crescimento de aproximadamente 110% em relação ao ano anterior. O investimento ocorreu em um ano pré-eleitoral, levantando questionamentos sobre prioridades e uso de recursos públicos em um momento de forte desequilíbrio nas contas do Estado.
Ao mesmo tempo em que o governo amplia gastos com propaganda e presença digital, o país enfrenta déficits bilionários, elevação da dívida e uma carga tributária que segue batendo recordes. Especialistas alertam que esse cenário tende a resultar em mais juros, menos investimento produtivo e maior pressão sobre a população, especialmente a classe média e os mais pobres.
A crítica que cresce fora dos grandes holofotes é que parte dos influenciadores e páginas políticas evita tratar de temas que expõem fragilidades da gestão fiscal, optando por narrativas mais convenientes ou superficiais. Pequenas boas notícias ganham destaque, enquanto questões fiscais de grande impacto coletivo ficam em segundo plano.
O silêncio sobre o tamanho do rombo, combinado ao aumento de gastos com comunicação oficial, reforça a percepção de que há uma tentativa de controlar a narrativa em vez de enfrentar o problema. Em um país que já enfrenta desigualdade, endividamento e perda de confiança econômica, a falta de debate transparente sobre as contas públicas pode custar caro — não ao governo, mas à população.






