Uma pesquisa nacional inovadora, desenvolvida na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), está utilizando a polilaminina, uma rede de proteínas, para restabelecer a comunicação entre o cérebro e o corpo em indivíduos com lesões medulares graves. Essa substância tem demonstrado a capacidade de reconstruir os axônios, que funcionam como ‘pontes’ para a transmissão de informações na medula espinhal. Pacientes com lesão medular completa que receberam o tratamento relataram a recuperação de movimentos sutis e o controle de funções essenciais, como a bexiga.
Atualmente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o “uso compassivo” da polilaminina em casos especiais e aprovou o início de ensaios clínicos oficiais para avaliar sua segurança e eficácia em humanos nos próximos anos. A aplicação da polilaminina é mais eficiente se realizada em até três dias após o trauma, antes que a medula inicie o processo de cicatrização. Contudo, a substância não é recomendada para lesões incompletas e exige fisioterapia intensiva, o que representa um desafio de acesso para muitos pacientes.
Em um estudo acadêmico envolvendo oito pacientes com lesão completa, 75% apresentaram recuperação da função motora, um avanço significativo comparado à taxa de 10% encontrada na literatura médica. Embora existam relatos de mortes de pacientes que receberam a substância, a equipe de pesquisa afirma que não há evidências que liguem os óbitos ao tratamento. A Anvisa espera que, se os testes clínicos forem bem-sucedidos, a polilaminina possa estar disponível em até cinco anos, com a expectativa de ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) para beneficiar um maior número de pessoas.







