A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal que investiga a possível ligação entre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como operador central de um esquema bilionário de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. O caso ainda está em fase de apuração, mas o simples envolvimento do nome do filho do presidente da República já coloca o episódio entre os mais sensíveis da história recente do país.
De acordo com a PF, o nome de Lulinha surge em diferentes frentes da investigação, incluindo depoimentos, registros de viagens e análises de relações empresariais, levantando a suspeita de que ele poderia ter atuado como “sócio oculto” do Careca do INSS, por intermédio de uma empresária próxima. A hipótese investigada é que essa estrutura teria sido usada para ocultar a real participação de pessoas influentes em um esquema que desviava recursos diretamente de aposentadorias, atingindo milhões de brasileiros.
Relatos colhidos pelos investigadores indicam ainda pagamentos recorrentes e valores milionários supostamente repassados de forma indireta, o que, se confirmado, colocaria esse esquema em um patamar comparável — ou até superior — aos maiores escândalos de corrupção do Brasil na última década. Trata-se de um crime com impacto social devastador, pois atinge diretamente idosos e pessoas vulneráveis que dependem do benefício do INSS para sobreviver.
Outro ponto que chamou a atenção da Polícia Federal foi a existência de viagens realizadas em conjunto entre Lulinha e o principal investigado, coincidindo com períodos em que negócios e movimentações financeiras suspeitas estavam em andamento. Para os investigadores, esse conjunto de indícios justifica o aprofundamento das apurações e o cuidado redobrado na análise das relações entre os envolvidos.
A defesa de Lulinha nega qualquer participação no esquema e afirma que não há provas de vínculo societário ou envolvimento em fraudes. Ainda assim, o caso reacende um debate inevitável: mais uma vez, o nome de Lula e de seus familiares surge associado a grandes investigações de corrupção, como já ocorreu nos episódios do Mensalão e do Petrolão, que marcaram profundamente a política brasileira.
Mesmo sem condenações até o momento, a recorrência desses episódios levanta questionamentos sobre promiscuidade entre poder político, familiares e operadores financeiros, além de reforçar a percepção de impunidade quando figuras próximas ao topo do poder são citadas em esquemas bilionários.
A Polícia Federal afirma que as investigações continuam e que qualquer conclusão dependerá de provas concretas. Caso as suspeitas se confirmem, o escândalo do INSS poderá entrar para a história como um dos maiores esquemas de corrupção já registrados no Brasil, não apenas pelo volume de recursos desviados, mas pelo impacto direto sobre milhões de aposentados — e pelo fato de, mais uma vez, orbitar em torno do núcleo familiar do presidente da República.






