Um laudo pericial da Polícia Federal (PF) revelou que o ex‑presidente Jair Bolsonaro apresentou um quadro de soluços persistentes e frequentes, chegando a aproximadamente 30 a 40 episódios por minuto durante o exame médico realizado na Superintendência da corporação em Brasília.
O documento, assinado por quatro médicos peritos da PF, foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como parte da avaliação do estado de saúde de Bolsonaro. A análise médica destacou a frequência intensa dos soluços e recomendou a realização de uma cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral, considerada necessária, embora não emergencial.
De acordo com o laudo, os soluços continuam sem remissão ao longo do exame, sugerindo um quadro de “soluços incoercíveis”. Essa condição tem impactos no sono e na alimentação do ex‑presidente, e também está associada ao agravamento de outras condições clínicas, como a hérnia constatada pelos peritos.
A defesa de Bolsonaro já recebeu a autorização de Moraes para a realização do procedimento cirúrgico, que deve ser marcado em data a ser definida pelos médicos e pela equipe jurídica. Embora a cirurgia seja necessária, a perícia concluiu que ela é eletiva, ou seja, pode ser programada previamente e não se trata de uma intervenção de emergência imediata.
Além dos soluços e da hérnia, o relatório também faz menção a exames adicionais que Bolsonaro deverá realizar durante sua internação, inclusive relacionados ao diagnóstico de câncer de pele. Essas análises complementares poderão fazer parte da estratégia da defesa para pleitear uma nova prisão domiciliar no Supremo.
O caso segue agora nos trâmites legais no STF, cabendo à defesa indicar a data e local da cirurgia e à Procuradoria‑Geral da República manifestar-se nos prazos previstos em lei.







