Uma declaração curiosa começou a circular nas redes: uma mulher afirma que, após a aprovação da chamada “Lei da misoginia”, nunca mais foi assediada nas ruas. A conclusão, para ela, parece simples — a lei funcionou. Mas a realidade, como quase sempre, é um pouco menos conveniente para narrativas prontas.
A ironia da situação está justamente na tentativa de atribuir a mudança a uma legislação recente, ignorando fatores muito mais óbvios. Afinal, o comportamento humano não se transforma da noite para o dia por decreto. Em muitos casos, a ausência de assédio pode ter explicações bem mais diretas — inclusive relacionadas a padrões sociais de atração, que dificilmente entram no debate público por serem desconfortáveis.
O episódio expõe mais uma vez como certas leis acabam sendo usadas como símbolo político, independentemente de seus efeitos reais. Enquanto isso, discursos simplistas seguem tentando transformar percepções individuais em prova de sucesso coletivo, mesmo quando a lógica não se sustenta.







