Isabel Veloso morreu aos 19 anos, vítima de um câncer em estágio terminal, deixando um filho bebê e uma trajetória marcada pela luta contra a doença e pela exposição cruel nas redes sociais. Nos últimos dias de vida, enquanto enfrentava o agravamento do quadro clínico, Isabel passou a ser alvo de vídeos e comentários do influenciador Guga Figueiredo, que se apresenta como o “Sheriff da internet”, papel no qual se coloca como fiscal do que seria ou não verdade no ambiente digital.
Em conteúdos publicados por Guga, Isabel foi associada à divulgação de supostos golpes na internet. Em um dos vídeos, ele destacou o fato de ela ter se casado, feito uma festa e dançado funk, elementos usados de forma sugestiva para levantar desconfiança no público. Embora não tenha feito uma afirmação direta, o discurso deixou no ar a indagação sobre a veracidade do diagnóstico de câncer, abrindo espaço para que seguidores passassem a duvidar da condição de saúde da jovem. Em outro corte que voltou a circular após sua morte, o influenciador afirma que ela estaria “boazinha por aí” até hoje, frase interpretada como uma insinuação irônica diante de uma situação extremamente delicada.
Isabel nunca escondeu sua realidade. Compartilhou internações, tratamentos e dores, ao mesmo tempo em que buscava viver momentos de alegria e afeto. O casamento foi um ato de amor e de afirmação da vida, não uma negação da doença. Ainda assim, isso não impediu que sua história fosse tratada como suspeita e usada como combustível para narrativas que geram engajamento.
O caso expõe a contradição de influenciadores que se colocam como paladinos da justiça e defensores de uma suposta verdade absoluta, mas acabam promovendo injustiças ao usar insinuações em vez de fatos. Essa postura se torna ainda mais evidente quando o rigor moral é seletivo, poupando ambientes e perfis ideologicamente alinhados à extrema esquerda, como aqueles com os quais o próprio influenciador mantém colaborações. A morte de Isabel Veloso escancara o efeito perverso dessa lógica: em nome de “cagar regra” sobre a verdade, vidas reais são desumanizadas e a empatia fica em último plano.





