Uma adolescente de apenas 13 anos foi vítima de estupro e espancamento por sete traficantes do Comando Vermelho, em São João de Meriti. O motivo da brutalidade: a jovem frequentou um baile em território dominado pela facção rival, o TCP. Este episódio trágico escancara a violência diária imposta pelo crime organizado nas comunidades, onde conflitos por território transformam inocentes em alvos de vingança sexual e agressão.
Enquanto a vítima e seus familiares lidam com um trauma profundo e sem volta, a repercussão na mídia e na esfera política tem sido limitada. Não se observam protestos públicos, moções de silêncio no Congresso, como as de Boulos, ou visitas de solidariedade de membros do governo. A comoção nacional esperada em situações de tamanha gravidade não se manifesta, ao contrário de outros casos que geram mobilização por narrativas ideológicas específicas.
A situação é agravada por declarações anteriores do ex-presidente, que chegou a descrever traficantes como “vítimas dos usuários”. Tal posicionamento distorce a realidade, desumanizando as verdadeiras vítimas — como a garota agredida — e minimizando a culpa de criminosos armados que aterrorizam, violentam e assassinam em nome do controle do tráfico de drogas. Essa complacência seletiva e a retórica que romantiza ou absolve o tráfico apenas perpetuam a impunidade e o descaso com os mais vulneráveis nas periferias.







