A Polícia Federal identificou indícios de que recursos públicos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS) em Alagoas teriam sido desviados para a aquisição de imóveis de alto padrão para uma suposta amante do então secretário estadual de Saúde, Gustavo Pontes de Miranda, que foi afastado do cargo por ordem do Tribunal Regional Federal da 5ª Região. A investigação, parte da chamada Operação Estágio IV, aponta que o desvio faz parte de um esquema que pode ter movimentado mais de R$ 100 milhões por meio de contratos superfaturados e irregularidades em prestações de serviços à saúde no estado.
Segundo os investigadores, parte desses recursos teria financiado a compra de uma residência de luxo em Brasília, no Setor de Mansões Park Way, avaliada em cerca de R$ 1,69 milhão, além de um flat à beira‑mar em Maceió. Ambos os imóveis estão registrados em nome de Andreia Araújo Cavalcante, apontada como parceira de Gustavo, com quem ela teria mantido um relacionamento extraconjugal e forte proximidade, conforme mensagens interceptadas pela PF. A movimentação financeira dela no período analisado somou quase R$ 5 milhões, muito acima de seus rendimentos declarados, o que levantou suspeitas sobre a origem dos recursos utilizados nas aquisições.
Documentos obtidos pela PF mostram que o secretário assinou uma confissão de dívida referente ao financiamento da casa em Brasília e um cheque de R$ 200 mil, além de registros do pagamento de sinal para o flat em Maceió. A polícia também encontrou evidências de que empresas envolvidas no esquema fizeram depósitos significativos na conta de Andreia, incluindo empresas que prestavam serviços à Secretaria de Saúde e uma clínica que foi cadastrada em programas vinculados ao SUS logo após a saída formal de Gustavo de sua sociedade com a empresa.
A investigação aponta ainda discrepâncias graves nas prestações de contas da clínica, como a declaração de milhares de sessões de fisioterapia em um curto período, número considerado inviável pela PF diante da estrutura operacional declarada. Caso comprovados os desvios, os envolvidos podem responder por crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e outros delitos relacionados ao desvio de recursos federais.
Gustavo nega qualquer irregularidade, afirmando em nota que nunca praticou ilícitos penais e classificando a operação da PF como um “abuso”. O governo de Alagoas criou uma comissão especial para acompanhar as investigações e reforçou que não compactua com irregularidades no uso de recursos públicos.







