Assim como outros governos de esquerda na América Latina, o regime de Nicolás Maduro também criou programas sociais com proposta semelhante ao Bolsa Família brasileiro. O principal exemplo é o CLAP (Comités Locales de Abastecimiento y Producción), lançado durante seu governo para distribuir alimentos subsidiados e assistência básica a famílias pobres em meio à crise econômica e à escassez no país.
Na prática, o programa foi apresentado como uma política de proteção social, mas acabou se tornando um mecanismo de controle político e dependência estatal. Em vez de funcionar como uma ponte para a autonomia econômica das famílias, o CLAP passou a ser a única forma de sobrevivência para milhões de venezuelanos, sem oferecer alternativas reais de geração de renda, emprego ou mobilidade social.
Diferentemente de programas que buscam reduzir a pobreza de forma gradual e incentivar a saída da dependência do auxílio estatal, a política social do governo Maduro não foi acompanhada de reformas econômicas, estímulo ao setor produtivo ou liberdade de mercado. O resultado foi o oposto do prometido: uma população cada vez mais dependente de cestas básicas distribuídas pelo próprio regime que destruiu a economia do país.
Além disso, o programa foi alvo de denúncias de corrupção, favorecimento político e uso eleitoral, com relatos de que o acesso aos benefícios estaria condicionado à lealdade ao governo. Em vez de libertar a população da pobreza, o regime aprofundou a miséria e transformou a ajuda social em instrumento de submissão.
O caso venezuelano mostra que assistência social sem liberdade econômica, sem instituições fortes e sem estímulo ao trabalho não combate a pobreza — apenas a administra. E, no caso da Venezuela, a mantém sob controle de um Estado autoritário que falhou em oferecer futuro à sua própria população.







