A juíza Adriana de Jesus Pita Colella, do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, tornou-se alvo de investigação após concluir o curso de Medicina em regime integral — ao mesmo tempo em que exercia sua função no Judiciário com salário bruto superior a R$ 76 mil (líquido acima de R$ 56 mil).
O caso acendeu um alerta nacional e gerou a pergunta que não quer calar: como uma magistrada consegue cumprir duas rotinas que, no papel, se chocam totalmente?
❓ A grande dúvida: horários que não batem
O internato médico exige dedicação total:
Segunda a sexta Das 8h às 17h (podendo seguir até 18h)
Já o expediente da juíza no TRT-2 está definido das 11h30 às 18h.
Ou seja: os horários se sobrepõem de forma absoluta.
Mesmo assim, há registros de que a magistrada declarou presença “presencial” no tribunal em períodos em que deveria estar no estágio do curso de Medicina. Esse conflito acendeu suspeitas dentro da própria Justiça do Trabalho e motivou a abertura de investigação pela corregedoria.
🔎 O que dizem as defesas e as regras
O tribunal afirma que não existe impedimento legal para magistrados fazerem um curso universitário, e que a produtividade da juíza foi monitorada.
A legislação que regula a magistratura não estabelece horário rígido, mas exige que o juiz cumpra suas funções, despachos, audiências e atividades presenciais.
Ainda assim, o choque entre horários levanta dúvidas: é possível cumprir integralmente dois expedientes que acontecem ao mesmo tempo?
⚠️ Por que o caso causa desconforto
A sobreposição de horários é evidente e levanta suspeitas claras de que alguma das atividades não foi realizada. Há questionamentos éticos sobre o uso do tempo de trabalho para cursar Medicina, especialmente quando envolve um cargo público de alta remuneração. A imagem do Judiciário pode ser abalada se for constatado que houve faltas, omissões ou prioridade indevida dada ao curso.
O episódio causa indignação e gera um debate direto:
É realmente possível conciliar um cargo público de dedicação exclusiva, com alto salário, e um curso de Medicina em período integral — sem prejuízo para nenhuma das funções?
A investigação tentará responder.
Enquanto isso, a pergunta permanece no ar — e incomoda muita gente.







