Almoçar à beira-mar no Brasil tem pesado cada vez mais no bolso do consumidor. Em alguns pontos do litoral, uma refeição simples já se aproxima de meio salário mínimo, reflexo direto da alta dos alimentos, do custo logístico e da sazonalidade do verão. Cardápios expostos em quiosques e restaurantes mostram valores que chamam atenção até de turistas acostumados com preços elevados.
Em estabelecimentos do Litoral do Rio, por exemplo, petiscos básicos ultrapassam os R$ 180, enquanto pratos “casadinhos” com fritas chegam a mais de R$ 200. Combinações maiores, pensadas para dividir, passam facilmente dos R$ 400 e podem alcançar quase R$ 600. Entre os itens mais caros do cardápio está a lula, presente tanto em porções quanto em pratos completos, liderando os preços.
Especialistas apontam que a pressão vem principalmente do aumento no custo de insumos como frutos do mar, óleo, energia elétrica e bebidas, além do reajuste de aluguéis e da mão de obra temporária no verão. O resultado é um repasse quase inevitável ao consumidor final, que se vê diante de valores comparáveis aos de restaurantes urbanos.
O cenário reacende o debate sobre até que ponto comer na praia se tornou um luxo no Brasil e se esses preços são sustentáveis no longo prazo. Para muitos, a experiência ainda compensa pela localização e pelo clima; para outros, a conta já não fecha. Afinal, até onde é aceitável pagar meio salário mínimo por um almoço à beira-mar?






