Em mais um episódio que escancara a banalização da criminalidade, um homem foi flagrado tentando trocar um celular roubado durante um bloquinho de carnaval por cerveja. A cena, que mistura oportunismo e desprezo pela vítima, simboliza um problema que há anos cresce sob a sombra da relativização do crime.
O episódio inevitavelmente relembra uma declaração polêmica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando afirmou que muitos roubos de celular aconteceriam apenas para “tomar uma cervejinha”. A fala, que gerou indignação à época, foi vista por críticos como uma tentativa de suavizar a gravidade do furto — um crime que atinge principalmente trabalhadores que parcelam seus aparelhos em várias prestações.
Ao reduzir o roubo a um ato quase trivial, como se fosse fruto apenas de necessidade momentânea ou impulso festivo, o discurso político passa uma mensagem perigosa: a de que o crime pode ser compreendido, tolerado ou até justificado. Para quem teve o celular levado — muitas vezes com fotos, contatos e dados bancários — não há “cervejinha” que compense o prejuízo.







