O casamento de Tabata Amaral, celebrado recentemente em uma igreja imponente, com um herdeiro branco de olhos azuis e um vestido que mais parecia ter saído de um catálogo de conservadorismo, acendeu debates e frustrações entre mulheres e ativistas que se reconhecem no rótulo “feminista”.
Tabata construiu sua carreira pública defendendo educação, igualdade de oportunidades e a luta por direitos que historicamente foram negados a grandes parcelas da população — principalmente mulheres negras e de classes populares. Por isso, foi inevitável a sensação de dissonância cognitiva quando tantos símbolos associados ao poder tradicional — o cenário sacralizado da igreja, o protagonista masculino que encaixa num ideal estético eurocêntrico e um traje nupcial que reforça padrões morais rígidos — surgiram como determinantes no que foi celebrado como “o dia dela”.
Não se trata de criticar escolhas pessoais — cada indivíduo tem o direito absoluto de se casar como desejar. Mas, quando alguém que posiciona seu discurso no campo progressista se envolve em um evento social que reproduz, na forma e no imaginário, códigos de privilégio e tradição, é legítimo questionar: onde ficam os valores que essa figura pública diz representar? Como reconciliar o discurso de ruptura com tradições que simbolizam hierarquias de gênero e raça?
A crítica não é sobre amor ou vínculo afetivo, mas sobre coerência simbólica. Feminismo, em sua essência, problematiza estruturas — inclusive aquelas que naturalizam certos rituais e estéticas como padrão ou ideal. Quando uma figura política abraça esses códigos sem reflexão pública, a pergunta que fica é: quais narrativas estamos reforçando quando poder, beleza e “legitimidade” se alinham tão estreitamente a um único modelo?








Quanta burrice nesse texto. Quem escreveu ficou até com vergonha de colocar o nome.