A internet voltou a ferver após declarações atribuídas ao influenciador Felca, frequentemente tratado como uma espécie de “voz jovem” em temas ligados à saúde mental. O problema é que, desta vez, o discurso que viralizou não tem nada de terapêutico — muito pelo contrário. A fala, carregada de hostilidade contra uma região inteira do país, levanta uma questão incômoda: desde quando incentivar ódio coletivo virou algo aceitável dependendo de quem fala?
A contradição salta aos olhos. Em um cenário onde qualquer frase considerada ofensiva pode gerar cancelamento imediato, certas figuras parecem ter um “passe livre” para ultrapassar limites básicos de convivência. A seletividade é evidente: discursos que deveriam ser amplamente criticados acabam relativizados quando partem de pessoas alinhadas com determinados grupos ou narrativas.
O episódio também escancara um problema maior na forma como “especialistas” são escolhidos e promovidos na mídia. Não basta ter alcance ou engajamento para falar sobre temas sensíveis como saúde mental. Quando alguém tratado como referência normaliza falas agressivas, o efeito não é só individual — ele se espalha, legitima comportamentos e rebaixa o nível do debate público.







