Tabata Amaral, vista como um expoente de renovação na política, construiu sua carreira com um perfil progressista. Jovem e com formação em Harvard, obtida com bolsa da Fundação Estudar – iniciativa social ligada a Jorge Paulo Lemann, um dos maiores bilionários do país –, ela representava a modernidade que a centro-esquerda almejava incorporar.
A discordância se acentuou recentemente. A deputada propôs o Projeto de Lei 1424/2026, que visa adotar os critérios da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) para definir antissemitismo em políticas públicas brasileiras. O projeto, inicialmente apoiado por 45 parlamentares, viu pelo menos cinco deles retirarem suas assinaturas em menos de uma semana devido à repercussão negativa.
A controvérsia reside no fato de que o Conselho Nacional de Direitos Humanos já havia recusado a definição da IHRA, considerando-a como uma “restrição flagrantemente inconstitucional ao direito fundamental de liberdade de expressão”. Adicionalmente, o Brasil havia se desvinculado da própria IHRA em 2025. O jornalista Glenn Greenwald, de origem judaica, criticou abertamente, afirmando que a deputada estaria “tentando impor as mesmas leis de censura da IHRA que Trump impôs às universidades americanas.”
Críticos também ressaltam a ligação de Tabata com Lemann como um padrão de parlamentares formados por interesses privados, cujas agendas nem sempre se alinham com seus eleitores. A deputada parece estar perdendo apoio na esquerda, que demonstra não estar mais disposta a seguir suas movimentações.







