A especialista em segurança pública que sempre aparece na Globo, Jacqueline Muniz, da Universidade Federal Fluminense (UFF), analisou a operação dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e destacou que o episódio vai além de uma simples ação judicial: trata-se de uma reconfiguração de poder e de mercados ilícitos.
Jacqueline Muniz compara a situação de Maduro à experiência de segurança pública no Brasil: assim como os “supostos” traficantes são vítimas do sequestro da polícia pelo próprio Estado, Maduro foi sequestrado pelos Estados Unidos, mostrando que líderes podem ser manipulados ou removidos sem que o sistema em que atuam seja desmontado. Em ambos os casos, as estruturas de poder continuam funcionando, apenas sob novos termos de controle.
A especialista critica a narrativa oficial da operação americana, apresentada como combate ao narcotráfico. Para ela, a ação também é uma estratégia de controle de recursos e mercados estratégicos, como o petróleo venezuelano, e não apenas uma aplicação da lei.
Jacqueline Muniz conclui que essas operações evidenciam como forças maiores de coerção moldam mercados ilícitos e relações de poder, seja na América Latina ou em territórios controlados por facções no Brasil. Ninguém está totalmente livre dessas pressões, seja Maduro, seja os “supostos” traficantes, seja a própria polícia.







