Uma empresa do setor de estética, localizada em Patos de Minas, no Triângulo Mineiro, foi notificada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) após divulgar uma vaga de emprego com a exigência de que o candidato “não fosse esquerdista”. A condição gerou repercussão nas redes sociais e levou à atuação do órgão, que considerou a prática discriminatória.
O anúncio foi publicado nas redes sociais da própria empresa e chamava atenção ao estabelecer como “pré-requisito mais importante” a orientação política do candidato. A publicação rapidamente viralizou, provocando críticas e denúncias por parte de internautas.
Entendimento do Ministério Público
De acordo com o MPT, a exigência fere princípios constitucionais, como a liberdade de pensamento, de consciência e de convicção política, além de violar normas trabalhistas que proíbem qualquer tipo de discriminação no acesso ao emprego. Para o órgão, opiniões políticas não podem ser utilizadas como critério de contratação, promoção ou permanência no trabalho.
O procurador responsável pelo caso destacou que a legislação brasileira e tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário vedam práticas discriminatórias baseadas em ideologia, posicionamento político ou crenças pessoais.
Medidas exigidas
Na notificação enviada à empresa, o Ministério Público do Trabalho recomendou que:
A exigência relacionada à orientação política seja retirada imediatamente de qualquer anúncio de vaga; A empresa se comprometa a não adotar critérios ideológicos em processos seletivos; Seja feita uma retratação pública no mesmo meio em que a vaga foi divulgada; Um comunicado seja afixado no local de trabalho informando que não haverá discriminação por posicionamento político.
A empresa recebeu um prazo para comprovar o cumprimento das recomendações. Caso as determinações não sejam atendidas, o caso pode evoluir para a abertura de procedimento judicial.
Debate sobre discriminação ideológica
O episódio reacendeu o debate sobre os limites da liberdade de expressão no ambiente empresarial e os critérios legais para contratação de funcionários. Especialistas em direito do trabalho ressaltam que a seleção deve se basear em competências técnicas e profissionais, e não em convicções pessoais, sob risco de violação de direitos fundamentais.
O Ministério Público reforçou que continuará monitorando situações semelhantes e que denúncias podem ser feitas por qualquer cidadão que se sinta prejudicado por práticas discriminatórias no mercado de trabalho.







