Desde o início do atual mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem dedicado mais tempo a mencionar o ex-presidente Jair Bolsonaro do que a apresentar soluções concretas para os problemas do país. Levantamentos mostram que Bolsonaro foi citado 3.589 vezes em discursos, entrevistas e falas públicas de Lula, o que representa uma média de quase três menções por dia desde a posse. O dado reforça a percepção de que o governo mantém o foco no embate político, em vez de priorizar uma agenda objetiva de resultados.
A insistência em usar Bolsonaro como referência constante revela uma estratégia discursiva baseada na transferência de responsabilidades. Em vez de apresentar avanços claros nas áreas econômica, social e institucional, o governo opta por justificar dificuldades recorrendo ao passado. A narrativa da “herança maldita” tornou-se permanente, mesmo após mais de um ano de gestão, enfraquecendo a expectativa de que o presidente assuma plenamente os rumos do país.
Enquanto o Planalto insiste em relembrar o adversário, problemas estruturais seguem sem resposta efetiva. Inflação pressionando o consumo, insegurança fiscal e estagnação econômica contrastam com um discurso político que parece preso à campanha eleitoral. Ao transformar Bolsonaro em personagem central de suas falas, Lula acaba reforçando a ausência de um projeto claro para o presente e o futuro do Brasil.







