O empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi detido pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, ao tentar embarcar em um jatinho com destino a Dubai, no meio da Operação Compliance Zero — investigação que busca esclarecer supostas fraudes bilionárias ligadas ao banco. Zettel foi rapidamente liberado após a apreensão de seu celular e passaporte, mas proibido de deixar o país enquanto as apurações continuam.
A velocidade com que o cunhado de Vorcaro foi solto — pouco mais de duas horas após a detenção — levanta questionamentos sobre equidade no tratamento de investigados de alto perfil, especialmente em um escândalo que envolve bloqueio de bens e valores superiores a R$ 5,7 bilhões e acusações de organização criminosa, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta. Enquanto o dono do banco já havia sido preso em novembro ao tentar fugir para o exterior, o fato de Zettel ter sido liberado tão rapidamente reforça percepções de privilégios para pessoas com influência.
Esse episódio faz parte de uma investigação ampliada que já colocou sob escrutínio investidores e executivos associados. A rapidez na soltura do cunhado, num episódio tão sensível, expõe um problema recorrente na percepção pública sobre a justiça brasileira: a ideia de que poderosos podem escapar de restrições mais duras mesmo diante de indícios fortes de tentativa de fuga e práticas potencialmente criminosas, corroendo a confiança da sociedade na imparcialidade do sistema.





