Um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados vem gerando forte repercussão ao propor mudanças diretas na forma como críticas a políticos e autoridades públicas são tratadas pela Justiça. Conhecida popularmente como “Lei Danilo Gentili”, a proposta busca assegurar que cidadãos comuns possam criticar políticos sem sofrer punições judiciais.
O texto foi apresentado pelo deputado Kim Kataguiri e propõe alterações no Código Penal e no Código Civil para deixar claro que críticas dirigidas a membros dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário não configurem crimes contra a honra, como injúria ou difamação, desde que não envolvam falsa imputação de crime ou incitação à violência.
O ponto central da proposta
Atualmente, parlamentares já possuem proteção legal para criticar outros políticos, amparados pela imunidade parlamentar e pela liberdade de expressão prevista na Constituição. Já o cidadão comum, mesmo sendo quem paga o salário dos políticos por meio de impostos, pode acabar respondendo a processos judiciais por críticas mais duras feitas em redes sociais, manifestações ou entrevistas.
A proposta pretende corrigir essa distorção, garantindo que o cidadão tenha o mesmo direito de crítica que hoje é exercido livremente por políticos, sem medo de ser punido judicialmente por expressar indignação ou opinião política.
Origem do nome “Lei Danilo Gentili”
O apelido faz referência ao humorista Danilo Gentili, conhecido por críticas contundentes a autoridades públicas e que já enfrentou processos judiciais por esse tipo de manifestação. A ideia ganhou força após debates públicos sobre liberdade de expressão e o uso do Judiciário como instrumento para silenciar críticos.
Debate e controvérsias
Defensores do projeto afirmam que a medida fortalece a democracia, impede abusos de poder e protege o direito do povo de fiscalizar e criticar seus representantes. Para eles, figuras públicas devem estar mais expostas ao escrutínio popular.
Já críticos alertam que a proposta pode abrir espaço para ofensas pessoais e ataques disfarçados de crítica política, dificultando a punição de excessos e deteriorando o debate público.
O projeto ainda está em tramitação e deverá passar por comissões antes de uma eventual votação no plenário. Até lá, o tema promete continuar dividindo opiniões entre parlamentares, juristas e a sociedade.







