Um caso inusitado e preocupante chamou a atenção ao revelar fragilidades no novo sistema digital da CNH Brasil: uma criança de apenas 3 anos e seis meses conseguiu obter um certificado de instrutor de trânsito, algo que, na prática, seria impossível pelas regras oficiais.
O episódio ocorreu durante um teste feito por uma proprietária de autoescola, que utilizou os dados do próprio filho para verificar o funcionamento da plataforma. O cadastro foi aceito normalmente e o curso online de instrutor pôde ser iniciado sem qualquer exigência de idade mínima, número de CNH válida ou comprovação de escolaridade. Em pouco tempo, o sistema emitiu o certificado.
O caso escancara falhas graves nos mecanismos de validação da nova plataforma, que deveria verificar critérios básicos antes de permitir o acesso a um curso dessa natureza. Tradicionalmente, a formação de instrutores de trânsito exige carga horária extensa, avaliações presenciais e requisitos rigorosos — um contraste evidente com o processo digital que permitiu o certificado a uma criança.
A proposta do novo modelo da CNH Brasil é reduzir burocracia, baratear custos e ampliar o acesso à formação. No entanto, o episódio levanta dúvidas sobre a segurança e a confiabilidade do sistema, especialmente quando requisitos essenciais simplesmente não são checados na etapa inicial.
Especialistas alertam que, embora o certificado digital não autorize automaticamente alguém a atuar como instrutor — já que ainda é necessária validação pelos Detrans estaduais —, a emissão irregular compromete a credibilidade do programa e pode abrir brechas para fraudes mais sérias.
Pelas normas em vigor, um instrutor de trânsito deve ter idade mínima, CNH válida há anos, histórico limpo de infrações graves e ensino médio completo. O caso da criança certificada demonstra que, ao menos no ambiente digital, essas exigências não estão sendo devidamente filtradas.
O episódio reacende o debate sobre a pressa na digitalização de processos sensíveis e reforça a necessidade de controles mais rígidos. Afinal, quando um sistema permite que uma criança receba um certificado profissional, o problema vai muito além de um simples erro técnico.






