Pesquisas científicas sugerem que existe uma relação entre a frequência de ejaculação e o risco de desenvolver câncer de próstata, um dos tipos mais comuns entre os homens. Estudos de grande porte indicam que homens que relatam ejacular com maior regularidade podem apresentar um risco menor de tumores nesta glândula, embora os resultados ainda não sejam totalmente conclusivos.
Um dos principais estudos sobre o tema acompanhou quase 32.000 homens ao longo de 18 anos, analisando a frequência de ejaculação declarada por cada participante. Os achados mostraram que homens que relataram 21 ou mais ejaculações por mês — incluindo relações sexuais, masturbação ou emissões noturnas — tiveram, em média, um risco 20% a 31% menor de desenvolver câncer de próstata ao longo da vida em comparação com aqueles que ejaculavam entre 4 e 7 vezes por mês. Pesquisas em outras populações também apontaram resultados semelhantes, especialmente na redução do risco antes dos 70 anos.
A hipótese mais citada pelos pesquisadores é que a ejaculação frequente poderia ajudar a “limpar” a próstata, removendo substâncias potencialmente nocivas que poderiam se acumular e contribuir para o desenvolvimento de tumores. Outras teorias sugerem que a atividade sexual regular pode influenciar a resposta imunológica, reduzir inflamação ou regular fatores hormonais que impactam a saúde da próstata.
Apesar dos achados animadores, especialistas alertam que esses resultados não provam uma causalidade direta. Alguns pontos críticos incluem o fato de que os participantes tiveram que relatar seus hábitos sexuais ao longo de muitos anos, diferenças entre populações estudadas, estilos de vida variados e outros fatores de saúde que também influenciam o risco de câncer. Por isso, ainda é cedo para transformar esse número — 21 ejaculações por mês — em uma recomendação médica formal.
Os médicos reforçam que, embora essa associação seja interessante, hábitos de vida mais amplos, como alimentação equilibrada, exercícios, controle de peso e exames médicos regulares, continuam sendo fundamentais na prevenção de doenças, incluindo o câncer de próstata. A prevenção e o diagnóstico precoce não devem substituir consultas e exames de rotina, como o toque retal e o PSA, quando indicados.
Em resumo, estudos mostram uma possível associação entre uma maior frequência de ejaculação e um menor risco de câncer de próstata, mas a ciência ainda não tem um consenso definitivo. É um campo promissor que exige mais pesquisas para entender melhor os mecanismos envolvidos e estabelecer recomendações médicas claras.







