O perfil Choquei, uma das contas mais seguidas e influentes do Brasil nas redes sociais, foi alvo de críticas hoje após divulgar publicamente o @ de uma mulher que acabou de cometer um duplo homicídio — matando outra mulher e o namorado dela — e transformar a criminosa em figura “famosa” nas redes sociais. Comentários em massa passaram a chamá-la de “diva”, reforçando uma cultura de sensacionalismo em vez de responsabilidade editorial.
A atitude levanta questionamentos graves sobre ética, limites e o papel de contas gigantescas de mídia digital ao lidarem com crimes reais. Em vez de contextualizar o caso com responsabilidade, o perfil amplificou a exposição da autora do crime, divulgando seu perfil pessoal, o que contribuiu para a glamourização da violência e para a criação de uma celebridade instantânea baseada em um assassinato.
O episódio ganha ainda mais peso diante de quem administra a página. O Choquei é comandado por pessoas com ligação direta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à primeira-dama Janja. O fundador do perfil, Raphael Sousa, já teve contato direto com integrantes do governo, e a própria Janja manteve comunicação com administradores da conta, segundo reportagens. Há registros de participação dos responsáveis pelo perfil em encontros no Palácio da Alvorada com Lula e aliados políticos.
Essa proximidade política levanta questionamentos sobre responsabilidade, critérios editoriais e o uso do alcance de um dos maiores perfis do país. Com milhões de seguidores, o Choquei não atua como uma conta comum: ele influencia opiniões, direciona narrativas e impacta diretamente a percepção pública de fatos graves.
Ao expor o perfil de uma criminosa e permitir — ainda que indiretamente — sua idolatria, o Choquei reforça críticas antigas de que a página prioriza engajamento a qualquer custo, mesmo quando isso significa normalizar crimes, banalizar mortes e transformar violência em entretenimento.
O episódio de hoje reacende o debate sobre os riscos de perfis gigantes operarem sem responsabilidade proporcional ao poder que exercem, especialmente quando seus administradores mantêm relações diretas com o núcleo do poder político no Brasil.
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