Emendas parlamentares que somam R$ 13 milhões, destinadas à construção de 300 casas populares no município de Iracema, em Roraima, resultaram em apenas uma única unidade construída — hoje abandonada. O caso envolve recursos indicados pelo então deputado federal Jhonatan de Jesus, atualmente ministro do Tribunal de Contas da União, e por seu pai, o senador Mecias de Jesus, levantando questionamentos sobre a efetividade, a fiscalização e o destino real do dinheiro público.
A promessa era atender centenas de famílias de baixa renda com moradia digna. Na prática, o que se vê é um cenário de desperdício e descaso: uma obra isolada, sem função social, enquanto a população que deveria ser beneficiada segue sem as casas anunciadas. A discrepância entre o volume de recursos enviados e o resultado entregue escancara falhas graves na gestão e no acompanhamento das emendas.
A prefeitura de Iracema afirma que os valores foram utilizados para a elaboração de projetos e outras etapas preparatórias, justificativa que não convence diante da ausência quase total de obras físicas. Parlamentares envolvidos negam irregularidades, mas o fato central permanece: milhões foram liberados e o resultado concreto é praticamente inexistente.
O episódio ganha contornos ainda mais sensíveis pelo cargo atualmente ocupado por Jhonatan de Jesus, que integra justamente o órgão responsável por fiscalizar o uso do dinheiro público. O caso reforça críticas recorrentes ao modelo de emendas parlamentares no Brasil, marcado por baixa transparência, fiscalização frágil e resultados que raramente correspondem às cifras anunciadas, especialmente em regiões historicamente carentes como Roraima.





