Indústria prevê manutenção dos valores atuais após disparada de 116% em 5 anos.
O café se destacou como o item da cesta básica com o maior aumento de preço em 2025, conforme revelado por um estudo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). A expectativa é que os valores da bebida permaneçam elevados ao longo de 2026, mesmo com a previsão de uma safra promissora. Isso se deve aos estoques globais reduzidos, que precisarão ser reconstituídos com a nova colheita, segundo Pavel Cardoso, presidente da Abic.
Entre 2021 e 2025, o custo do café para o consumidor final registrou uma escalada de 116%. Tal elevação é atribuída principalmente a fenômenos climáticos adversos, como geadas, secas e altas temperaturas, que impactaram as plantações nos últimos anos, diminuindo a oferta de grãos e impulsionando os preços. Apesar do encarecimento, o faturamento do setor de café torrado cresceu 25,6% em 2025, atingindo R$ 46,24 bilhões, impulsionado justamente pelos preços mais altos nos supermercados.
Apesar da queda de 2,31% no consumo em 2025, Cardoso descreve o consumo brasileiro como resiliente. Fatores como a tarifa de 50% imposta pelos EUA ao café brasileiro, os baixos estoques mundiais e a redução na produção de café arábica (principal variedade nacional) contribuíram para a alta. Uma leve redução nos preços foi observada em dezembro, com o café tradicional extraforte ficando 7,1% mais barato e o café em cápsulas caindo 13,2% no mês, e 16,8% em relação a janeiro de 2025. Essa baixa é resultado da redução no custo da matéria-prima e acordos da indústria.



