O The Wall Street Journal, um dos jornais mais influentes dos Estados Unidos publicou um artigo de opinião sustentando que o Brasil estaria passando por um “golpe de Estado” promovido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sob a liderança do ministro Alexandre de Moraes. Segundo essa análise, a atuação da Corte teria ultrapassado seus papéis constitucionais ao investigar, processar e prender críticos políticos, censurar vozes opositoras e conduzir inquéritos sigilosos sem a devida supervisão de outros poderes. Essa visão interpreta a intensa judicialização da política brasileira como um movimento que ameaça a democracia, acusando o tribunal de se envolver de maneira política em vez de limitar-se à função jurisdicional.
O texto argumenta que, a partir de 2019, o STF teria acumulado poder ao desempenhar simultaneamente funções de acusador, investigador e juiz em casos sensíveis, como o chamado inquérito das fake news e os processos relacionados à tentativa de golpe de Estado nos eventos de 8 de janeiro de 2023, quando prédios dos Poderes da República foram invadidos por apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro. Para a coluna, tais medidas, aliadas à censura de opiniões contrárias ao tribunal e à condenação de líderes políticos, configuram uma erosão das garantias democráticas no país.
Críticos dessa narrativa destacam que as ações do STF fazem parte de investigações legais e julgamentos públicos, incluindo a condenação de políticos que teriam tentado subverter o processo democrático após as eleições de 2022. Eles ressaltam que a Corte não atua sozinha: as acusações e julgamentos são baseados em evidências apresentadas por órgãos como a Procuradoria-Geral da República e seguidos de ampla cobertura e transparência, com decisões que buscam preservar a ordem constitucional e responsabilizar quem atentou contra ela.
O debate internacional reacende discussões profundas sobre os limites do poder judicial, o papel das instituições em democracias modernas e como diferentes setores da mídia interpretam eventos políticos complexos em países como o Brasil.







