O recente desabafo de Anitta contra ladrões de celular durante um show reacendeu críticas nas redes sociais e levantou questionamentos sobre a coerência política da cantora. Em cima do palco, visivelmente irritada, a artista condenou furtos de celulares no meio do público e chegou a amaldiçoar os responsáveis, afirmando que quem tem dinheiro para comprar ingresso deveria “fazer alguma coisa que preste na vida”, em referência aos criminosos.
Para parte dos internautas, a cena expõe uma contradição difícil de ignorar. Anitta foi uma das artistas que apoiaram publicamente Luiz Inácio Lula da Silva, presidente frequentemente associado por críticos a discursos considerados brandos em relação à criminalidade. Nas redes, voltou a circular a lembrança de declarações atribuídas a Lula sobre furtos de celular, usadas simbolicamente por opositores para acusar o governo de relativizar pequenos crimes urbanos.
A crítica não se limita ao episódio do show, mas ao contraste entre o engajamento político da cantora e sua indignação quando o problema atinge diretamente seu público e seus eventos. Para esses críticos, a postura reforça a percepção de que discursos políticos progressistas costumam ser tolerantes com a violência até o momento em que ela afeta interesses pessoais ou financeiros.
O episódio também reacendeu o debate sobre segurança em grandes eventos e o papel de artistas que se posicionam politicamente. Para parte do público, o caso revela que a violência cotidiana, muitas vezes tratada de forma abstrata no debate político, se torna inaceitável quando sai do discurso e invade a experiência real das pessoas — inclusive de quem ajudou a eleger os governantes responsáveis por combatê-la.







