Uma reportagem do Globo Repórter, da TV Globo, exibida nesta sexta-feira (6), chamou a atenção para a realidade de brasileiros que, mesmo possuindo graduação e pós-graduação, decidiram deixar o país em busca de melhores oportunidades de trabalho e qualidade de vida.
A edição, apresentada por William Bonner e Sandra Annenberg, abordou histórias de brasileiros que partiram para países como Estados Unidos, Irlanda e Portugal, mas acabaram retornando ao Brasil após enfrentar dificuldades no exterior.
Entre os entrevistados está Luiz Borges, formado em Administração e com pós-graduação em negócios. Apesar da qualificação acadêmica, ele trabalhou em obras, limpeza, cozinhas e entregas na Irlanda. A reportagem também apresenta Brenda Araújo, formada em Relações Internacionais, que trabalhou em restaurantes durante sua permanência no país europeu.
Os relatos reacendem o debate sobre a valorização profissional no Brasil. Para muitos brasileiros, anos de investimento em educação não garantem salários satisfatórios, estabilidade financeira ou perspectivas de crescimento na carreira.
Entretanto, a reportagem também mostrou que morar no exterior não significa necessariamente alcançar uma vida melhor. Custos elevados, dificuldades de adaptação e condições de trabalho diferentes das expectativas levaram alguns entrevistados a retornar ao Brasil.
O fenômeno da saída de profissionais qualificados, frequentemente chamado de “fuga de cérebros”, continua sendo discutido por pesquisadores. Um levantamento do Ipea identificou 3.145 doutores formados no Brasil entre 2013 e 2024 com residência declarada no exterior em março de 2025, equivalentes a 1,2% dos titulados analisados. O estudo não permite afirmar que milhares de graduados estejam deixando o país atualmente.
Fontes: Rede Globo — Globo Repórter (06/11/2026); Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada — Ipea (maio de 2026).

