Opinião — A frase atribuída a Roberto Campos provoca uma reflexão sobre a coerência de artistas que apoiam Lula: o discurso político apresentado ao público acompanha os valores defendidos quando o assunto é o próprio patrimônio?
Não há problema em um artista ganhar dinheiro, negociar contratos ou construir uma fortuna. O questionamento surge quando o lucro é tratado como defeito nos outros, enquanto o sucesso financeiro pessoal é celebrado como mérito. Quem condena o mercado também precisa reconhecer o papel dele na própria carreira.
O apoio a Lula tampouco deve funcionar como certificado de preocupação com os mais pobres. Essa preocupação precisa aparecer na cobrança por resultados, na fiscalização do governo e na disposição de reconhecer seus erros — inclusive quando isso contraria o candidato escolhido.
Artistas têm direito à preferência política. O público tem o mesmo direito de questionar suas posições, cobrar coerência e rejeitar qualquer tentativa de transformar fama em superioridade moral. Defender os trabalhadores exige também respeitar aqueles que pensam e votam diferente.
Na sua opinião, esses artistas cobram de Lula o mesmo que cobrariam de um adversário?







