A primeira-dama Janja Lula da Silva tem intensificado a aproximação do governo e do Partido dos Trabalhadores (PT) com o público evangélico, segmento em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta elevados índices de rejeição. A iniciativa faz parte de uma estratégia para ampliar o diálogo com esse eleitorado, que nos últimos anos se aproximou majoritariamente de grupos ligados à direita conservadora.
Durante o 4º Encontro Nacional de Evangélicos do PT, Janja afirmou que tem promovido reuniões com mulheres evangélicas para ouvir suas demandas e compreender os desafios enfrentados nas periferias brasileiras. Segundo ela, problemas como violência doméstica, mortalidade materna, desemprego e falta de vagas em creches e escolas afetam mulheres de diferentes posições políticas, criando pontos de convergência além das divisões partidárias.
A primeira-dama também destacou o papel das igrejas como espaços de acolhimento para famílias em situação de vulnerabilidade social. Em seu discurso, defendeu que setores progressistas retomem o diálogo com comunidades religiosas e argumentou que a atuação política deve ser guiada por princípios éticos, morais e de solidariedade.
O evento também foi marcado por críticas ao pastor Silas Malafaia, uma das principais lideranças evangélicas do país. Janja respondeu a declarações anteriores do religioso e afirmou que toda mulher merece respeito e reconhecimento, independentemente de sua posição política ou influência pública.
Paralelamente às ações promovidas por Janja e outras lideranças ligadas ao governo, como a ministra Marina Silva, o PT divulgou uma carta direcionada ao eleitorado religioso. No documento, o partido reafirma seu compromisso com o Estado laico e a liberdade religiosa, critica o uso político da fé e condena a disseminação de notícias falsas envolvendo temas religiosos.
A legenda também sustenta que programas sociais do governo, como o combate à fome, a redução da pobreza e a proteção de grupos vulneráveis, estão alinhados com valores cristãos de solidariedade, justiça social e cuidado com os mais necessitados. A iniciativa faz parte dos esforços do partido para reduzir resistências e ampliar sua presença entre os eleitores evangélicos.







